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Desde que vim morar na Polônia eu sabia que alguma hora eu iria conhecer Auschwitz e confesso que prolonguei essa ida por muito tempo, afinal eu sabia que não era tão forte para aguentar aquele “passeio”.

Algo que considerei também foi o desejo de deixar para visitar o local quando fosse frio, para que eu realmente tivesse idéia de como aquelas milhões de pessoas sofreram no passado.

Minha viagem começou na minha cidade, Wroclaw, onde peguei um Polskibus (empresa polaca de ônibus) até a Cracóvia que é o ponto de partida para o campo de concentração; De lá você pode ir de trem ou de ônibus, sendo que o ônibus é o modal mais aconselhável, por ser mais barato e deixar os visitantes bem em frente do campo.

A ida e volta custa 28 zlotys, em média 25 reais e você paga diretamente para o motorista. O ônibus sai direto da rodoviária e tem vários horários, porém eu aconselho a pegar o primeiro, visto que a viagem dura 1:45 minutos e é melhor chegar lá logo que o campo abre para não pegar fila.

Imagem: Ônibus que nos levou até o Campo de Auschwitz, partindo de Cracóvia

Chegando lá, você pode escolher se quer a visita guiada que custa 40 zlotys ou ir sem guia e não pagar “nada”, mas mesmo que se opte pela segunda opção também é preciso pegar um ingresso.

Por ser a minha primeira vez e eu achar que ia sofrer muito, acabei optando por ir sem guia oficial, aliás eu tinha um guia em mãos, que foi escrito por um amigo brasileiro que trabalhou como guia por lá. (Caso tenha interesse, mande um e mail para contato@bemvindosabordo.com.br que enviamos para você).

Segui a sequência que estava no meu guia e a primeira parada foi na única sala que continua intacta em todo o campo, originalmente como foi achada, e lá tem uma foto original do Hitler pendurada na parede. Nesse mesmo galpão tem várias salas e muita História e foi quando eu vi um monte de óculos, todos juntos, que eu comecei a chorar e não parei mais, porque as memórias que estavam lá com aqueles objetos se traduzem em milhares de histórias de vida, vidas de pessoas que sofreram muito e fica praticamente impossível não se emocionar.

Imagem: Única sala intacta em todo o campo com uma foto do Hitler pendurada na parede

Imagem: Muitos óculos que pertenciam aos prisioneiros

Imagem: Alguns objetos dos prisineiros

Uma das coisas que mais me chocaram e que eu tive uma crise grande de choro, foi no local onde encontramos uma porção de cabelos femininos, aliás essa era a parte de todo o campo que eu mais tinha medo de ver e não esperava que seria tão grande a quantidade de fios que encontrava-se lá. Foi uma grande surpresa também saber que os alemães usavam parte daqueles fios de cabelo, raspados das prisioneiras, para fazer tecidos. Sim, isso mesmo, você não leu errado. Foi um grande choque.

Cada galpão que eu entrava, era uma história diferente, super triste e eu cada vez ficava mais incrédula da capacidade de crueldade de parte da humanidade.

Aliás, você sabia que foram os próprios prisioneiros que construiram esses galpões e as próprias celas? Na entrada do campo de concentração, encontra-se a frase: “O trabalho liberta”, pois eles achavam que estariam lá como escravos apenas por um certo tempo e que logo tudo acabaria e seriam libertos. Infeliz engano.

Imagem: "O trabalho liberta"

Durante todo o trajeto, que durou 4 horas, achei incrível que todos os visitantes respeitam o lugar e fazem tudo em silêncio, e é difícil escutar vozes por lá, pois realmente é um momento de reflexão para todos.

Para mim o momento mais forte e marcante, sendo que eu precisei até mesmo me sentar no chão, foi na área da câmara de gás. É um lugar muito forte e com uma energia de crueldade, pois você vê os arranhões naquelas paredes, arranhões de desespero de quem estava morrendo, sem conseguir sair. Os alemães usavam Zyklon B nas câmaras de gás, pois era um tipo de veneno que evaporava com o calor humano e assim matava várias pessoas ao mesmo tempo.

Imagem: Câmara de Gás

A visita desse campo de concentração acaba ali e então se você quiser poder ir visitar o Birkenau, que era um campo 20 vezes maior e era aonde chegavam os vagões cheios de prisioneiros, é lá que tem aquela famosa foto da linha de trem. O campo possui 40km e você pode pegar um ônibus de graça para lá, demora 5 minutos.

Nesse segunda campo não tem muito o que ver, pois os alemães conseguiram destruir a maior parte de toda a estrutura, porém alguns barracões continuam lá e você pode ir visitar para ver como eram as condições dos alojamentos precários e imaginar o frio que os prisioneiros passavam por lá. Faça uma caminhada pelo campo para ter ideia da dimensão do local.


Imagem: Prédios usados como alojamentos para os prisioneiros, no campo de concentração Birkenau

Depois dessa triste visita, eu penso que todo mundo que tenha qualquer tipo de preconceito, deveria visitar o campo de concentração de Auschwitz para ver que a intolerância com as diferenças não nos leva a lugar algum, somente traz muito sofrimento e deixa marcas terríveis para uma vida inteira.

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